Quando Joanne Harris idealizou a pequena aldeia de Lansquenet-sur-Tannes e nela criou o cenário para o seu romance "Chocolate", não imaginava decerto o sucesso que este viria a ter.
Só em Portugal o livro vendeu mais de vinte e cinco mil exemplares e agora que estreou o filme de Lasse Hallström, nomeado para três Oscars da Academia, o romance veio a ganhar um novo fôlego.
Vianne é uma mãe solteira que chega à pequena aldeia, com a sua filha, e ali abre uma chocolataria.
Os capítulos alternados, ora com a voz de Vianne, ora com a do padre Reynaud (ao contrário do filme, no livro é este que quer fechar esta loja das tentações), criam uma grande tensão dramática.
" "Todos nós somos divididos interiormente" diz Joanne.
" O Padre Reynaud é uma espécie de anoréctico.
Recusa-se a comer e tortura-se a si próprio ficando horas em frente à montra do talho.
É repressivo, a sua severidade para com os outros baseia-se no facto de se odiar profundamente."
(citada pela revista (livros), no 19) É contra este pensamento que "Chocolate" se insurge, defendendo os pequenos prazeres da vida, neste caso os gastronómicos, e o direito à diferença, numa pequena aldeia, fechada ao que vem de fora, (também os ciganos, que ali aparecem, com as suas músicas e outro tipo de vida, são votados ao ostracismo), e que, de certa forma, põe em causa o poder instalado
Joanne Harris nasceu no Yorkshire, de mãe francesa e pai inglês.
Estudou Línguas Modernas e Medievais em Cambridge e foi professora durante quinze anos.
Durante este período publicou três livros: Maligna (1989), Valete de Copas e Dama de Espadas (1993) e o marcante Chocolate (1999), um retumbante sucesso internacional que a adaptação ao cinema (com Juliette Binoche e Johnny Depp) veio intensificar.
A sua obra está atualmente publicada em quarenta países e foi galardoada com inúmeros prémios literários internacionais.