Deve se falar para as crianças sobre as regiões inferiores do mundo espiritual?
Foi uma pergunta feita a um amigo espiritual em nosso grupo de evangelização espírita.
Certamente, pois as regiões inferiores são parte da criação de Deus.
É necessário, naturalmente, ajustar a forma de falar segundo a compreensão e a realidade emocional de cada idade.
Essa resposta me chocou profundamente.
Nunca havia pensado dessa forma.
Porém, a compreensão espírita não permite outra interpretação, Deus é o criador originário de tudo e tudo só existe com sua permissão!
Impossível conciliar a visão espírita de Deus com minha visão materialista e medieval do Criador do universo.
Tratamos aqui de um conflito inconciliável entre uma definição limitadíssima e até equivocada de Deus e uma compreensão sábia do Criador.
Ante esse choque, uma longa estrada se abriu para mim.
Nela, curvas difíceis, subidas íngremes, trechos estreitos e mal pavimentados: é a estrada de saída de minha concepção estreita de Deus.
Sem a codificação, não acredito que conseguiria percorrê-la com alguma segurança
A Cabala ensina que a mais importante de todas as questões, sem nenhuma comparação possível, é Deus, porque Deus não é uma ideia humana, mas os seres humanos são uma ideia de Deus.
Nós somos uma concepção de Deus.
O que isso implica?
Nós nos definimos, decidimos quem somos e seremos, ao definirmos, conscientes ou não, nossa relação com Deus.
Por exemplo, é frequente que pessoas que sofreram grandes traumas, ainda não superados, tornarem-se ateias.
É uma forma de negar a vida.
Não mais querer viver para não sofrer.
Qualquer acontecimento significativo em nossa vida nos induz a rever nossa relação com o Pai, à medida que conseguimos nos conduzir de forma consciente nesse processo, abrimos a possibilidade de uma compreensão intelectual e emocional superior da vida.