Conheci Caio, o personagem solitário destes textos multipovoados, ao acaso.
Do mesmo tipo de acaso que faz alguém viajar para Fortaleza na única semana chuvosa do ano.
Caio tinha muito a falar.
Principalmente quando não tinha nada a dizer.
Falava pelos cotovelos, pelos dedos, pelas mãos.
Falava para as paredes e com elas.
Caio não foi de se destacar.
Nem nos seus erros.
Repetiu-os com disciplina, fiel a seu destino de estaca.
Caio não foi um vencedor.
Sequer perdeu.
Caio não jogava, assistia ao jogo.
Mônica, que para um desavisado poderia ser tomada como a outra personagem destes instantâneos, eu não conheci.
Talvez nem Caio a conheceu.
Só sei de Mônica por Caio.
E Caio não sabia nada de Mônica, só de seu amor por ela.
Por amar, Caio desconheceu profunda e detalhadamente a Mônica.
E talvez por isto a amou tanto e de diversas maneiras.
Todas igualmente idiossincráticas e patéticas.