O retrato da mulher camponesa de Moçambique no século XX
um estudo de caso sob a ótica ocidental
Diva Luisa de Luca
Publicado em 2000
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O retrato da mulher camponesa de Moçambique pode ser traçado no decorrer do século XX a partir da filmografia dos anos 90, das pesquisas acadêmicas e de outras realizadas no âmbito dos projetos de cooperação técnica das Nações Unidas e, finalmente, com o apoio dos registros realizados pelos missionários europeus a partir do início do século. Retratar significa descrever o cotidiano da figura feminina comparativamente ao masculino, evidenciando o papel fundamental que ela desempenha na produção de alimentos e na manutenção do núcleo cultural. À medida que o colonialismo se perpetuou e se expandiu, introduzindo a ideologia do capitalismo e a conseqüente exploração do trabalho, os homens foram deslocados em massa para as minas, transformando-se em 'mineiros' ou 'construtores de estradas de ferro', além disso foram combatentes na guerra. Coube às mulheres permanecer em suas aldeias, produzindo e distribuindo alimentos, isto é, cuidando da sobrevivência da sua família e do seu grupo e, conseqüentemente, preservando e transmitindo os seus hábitos culturais. A imposição da cultura ocidental, notadamente nos seus aspectos econômicos, provocou a mudança da estrutura familiar da população da zona rural de Moçambique, mas não conseguiu alterar o papel desempenhado por suas mulheres; pelo contrário, o mesmo foi ampliado.