"De um cavalheiro cujo nome ocultamos, não só a seu pedido, como porque seria imprudente e talvez mesmo perigoso revelá-lo, recebemos uma importantíssima carta, a que damos publicidade porque o seu assunto se prende intimamente à gravíssima questão - Castro Malta.É possível, provável mesmo, que das obsequiosas informações desse cavalheiro resultem novos elementos de convicção que auxiliem o desfecho dessa questão, concorrendo para descobrir esse tenebroso mistério, que tanto se empenha a Policia em ocultar
Ao nosso amável informante pedimos desculpa de havermos publicado integralmente a sua carta e que nos remeta sem detença quaisquer informações novas, que porventura venha a colher
Eis a carta:Sr.
Redator dA Semana
Posto que apenas ligeiros laços de cortesia liguem as nossas relações, tomo a liberdade de dirigir-me a V. Sª.
porque entendo ser esse o melhor caminho para chegar aos fins a que desejo chegar
Trata-se de merecer de V. Sª.
um obséquio, cuja realização, que não lhe custará grande sacrifício, trará no entanto para este seu criado vantagens incalculáveis, e mais ainda como que o gozo do cumprimento de um dever
O meu desejo é que V. Sª.
dê na sua esperançosa Folha uma notícia, uma simples notícia, a respeito de certo fato, insignificante na aparência, mas em verdade de um grande alcance social e político.
E, para que V. Sª.
possa dar tal notícia com toda a segurança, preciso é que eu fale de outros fatos, sobre os quais não daria pa¬lavra, se imprevistas circunstâncias não me obrigassem a símilhante coisa
Em primeiro lugar, Sr. Redator, convém lembrar-lhe que eu sou casado; que, se não tenho filhos é por¬que morreu o único que me chegou a nascer; e que até hoje tenho desempenhado com toda a retidão e todo o zelo o modesto emprego que conquistei a concurso na Secretaria em que ainda ontem tive o prazer de encontrar V. Sª., pedindo informações a respeito de certa autoridade, envolvida na grande questão que neste momento preocupa a população inteira desta vastíssima cidade - a questão Malta."