Ana Guerreiro
Publicado por Ana Guerreiro
Um conto ficcional onde o paraíso e as tentações se encontram.
Camila, uma neurocientista, e Lorde, um astrofísico.
Saberão eles em que dimensões se encontram as suas emoções e desejos?
A lua não está cheia.
A maré não subiu.
O relógio não parou.
“Foi uma monja, em tempos!” - Dizem todos, com espanto e aspereza.
“Uma alma que se perdeu.”
“Deixem-na fugir, como o diabo foge da cruz.
Não a entreguem ao convento.
Jamais!” - Insistem, amnésicos de seus males.
Ela não veste Branco.
Não é uma cor digna de uma amante de filosofia, sempre atenta ao breu que se segue ao crepúsculo.
Tem um temperamento que não se conforma com a deformação do espaço-tempo de Einstein, com a falsa luz de uma estrela desaparecida há muito.
Falso branco, quiçá um Deus mortiço, um Deus postiço.
É Camila quem sonha, mas ainda não sabe que está a sonhar.
“Acordem-na!” “Acorda-a!” “Toma-a nos teus braços.
E… beija-a!” Esperará no sonho pela hora de despertar, com um beijo.
Não escreverá esses sonhos, não pretende recordá-los.
Não derramará a tinta no papel...
Ilustração de capa: Ana Paula Guerreiro