Claudeni dos Santos
Publicado por Clube de Autores
"Quinze para a meia noite.
A rua silenciada pelas horas, a mesma rua de sempre, mas vazia.
Ninguém o esperava para lhe dar os parabéns por sua vitória.
Apenas três cães rajados, seus velhos conhecidos, deitados na calçada de frente para a terceira casa da rua, uma casa cuja cor mostarda empastada não agradava a Tomaz que preferia em se tratando de cor, os dois opostos simples; ou cores vibrantes ou claras e discretas.
Nunca fora homem de meio termo.
Ao som dos passos, um dos cachorros, o que se deitava com a cabeça sobre o outro na horizontal, levantou a cabeça, mas logo se desinteressou.
O pequeno teor de álcool acrescentava à sua leveza de passo uma torpeza nos braços e certa melancolia na mente.
Viu as luzes no alto dos postes tortos que lhe pareciam gigantes corcundas; as luzes tremulavam feito as chamas dos velhos lampiões a querosene.
‘É uma rua bonita’, Tomaz pensou, resvalando da guia alta e pisando firme na sarjeta quebrada.
A calçada tremulou ao som de um caminhão que passava na rua paralela.
Na frente da casa pequena, cuja fachada de cimento cinza, ofuscada pela falta de luz do poste fronteiriço, Tomaz disse para sim mesmo num tom quase inaudível: _Com a merreca do dinheiro da luta vou ver se arrumo a casa, pra dar alguma felicidade pra minha mãe.