A música da natureza
Rubem Alves
Publicado por Papirus Editora
Agora são os ipês cor-de-rosa.
Depois virão os amarelos.
Por fim, os brancos.
Cada um dizendo a mesma coisa de forma diferente.
Variações sobre o mesmo tema, brincadeira musical que poderia ter sido composta por Vivaldi ou Mozart, se Deus não lhes tivesse tomado a dianteira.
Sugiro uma pequena sinfonia em três partes.
Primeiro movimento, "Ipê-rosa", andante tranquilo, como o coral de Bach que descreve as ovelhas pastando.
Ouve-se o som rural do órgão.
Segundo movimento, "Ipê-amarelo", rondo vivace, em que os metais, trombones, trompas, tubas, pistões, cores parecidas com as do ipê amarelo, fazem soar a exuberância da vida.
Terceiro movimento, "Ipê-branco", moderato, em que os veludosos violoncelos falam de paz e esperança.