Por uma educação romântica
Rubem Alves
Publicado por Papirus Editora

Estremeço quando me dizem que há entrevistadores de televisão e de jornais à minha espera.
Sei, de antemão, a primeira pergunta que vão me fazer: "O que é que o senhor acha da educação no Brasil?".
A pergunta é banal porque eles já esperam uma resposta estereotipada.
Querem que eu denuncie a falta de verbas, a condição de indigência dos professores, o mau aproveitamento dos alunos etc. Mas isso todo mundo já sabe.
É um equívoco pensar que com mais verbas a educação ficará melhor, que os alunos aprenderão mais, que os professores ficarão mais felizes.
Como é um equívoco pensar que, com panelas novas e caras, o mau cozinheiro fará comida boa.
Educação não se faz com dinheiro.
Educação se faz com inteligência.
E aí, frustrando as expectativas dos entrevistadores, eu falo sobre coisas lindas que estão acontecendo por esse Brasil afora, no campo da educação.
Porque o fato é que, a despeito de todas as coisas ruins e andando na direção contrária, há professores que amam os seus alunos e sentem prazer em ensinar.
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