O presente volume, de número III, do Livro das mil e uma noites, dá continuidade à nova tradução, diretamente do árabe, do clássico universal, realizada pelo professor Mamede Mustafa Jarouche.
Mais do que uma nova tradução, trata-se, na verdade, de uma nova configuração.
Pois não há uma versão única da obra.
O que se conhecerá neste volume, das fontes originais, é o que se chama de “ramo egípcio” das histórias, sua parte mais tardia (além de variações comparativas apresentadas em anexo).
O livro conta, ainda, com nota introdutória e posfácio a cargo do tradutor, com indicações das fontes.
O Livro das mil e uma noites é um desses livros que (quase) dispensam apresentações.
Algumas de suas histórias e personagens, como Ali Babá e sua caverna, Simbad, o marujo, Aladim e o gênio da lâmpada e a própria Sherazade tornaram-se parte do que se pode chamar de repertório mundial.
Poucos desconhecem a história da mulher que conta, a cada noite, uma história diferente para seu amante.
Menos lembrado é Sherazade estar condenada à morte.
Pois a narrativa começa com o adultério da mulher do sultão.
Ele, então, a mata, e para garantir não ser traído outra vez, passa a matar no fim da noite de núpcias as novas mulheres com quem se casa, a um ritmo de uma noiva por dia.
Para se salvar, quando chega sua vez Sherazade tece uma trama narrativa na verdadeira acepção da expressão.
Pois suas histórias não duram uma noite: duram um pouco menos.
Assim, sempre começa a história seguinte antes que a noite acabe, de modo que a curiosidade do sultão a mantém viva por todo o dia, para que, na noite seguinte, complete a história.
Que de fato se completa, apenas para que uma nova seja iniciada, mas não terminada.