A Doida do Candal
Camilo Castelo Branco
Publicado por Ediçoes Vercial

"Estive intentado a interpor nesta segunda edição da Doida do Candal uns discursos acerca do duelo, como quem inculca tendências a desbravar o género humano de tão brutal selvageria.
Nesse campo de mortos infamados e já também chorados, acharia eu que farte tristíssimas flores com que aformosear tragédias.
Não o há tão abundante para lágrimas e dadivoso às menos inspiradas fantasias.
Dei, todavia, de mão ao intento, quando o meu editor e amigo me disse que A Bruxa de Monte Córdova era menos lida que A Doida do Candal.
Entrei a comparar os dois romances para entender a desigualdade dos méritos, e vim ao convencimento de que um pouquinho mais de filosofia estragara a Bruxa.
Nada, pois, de tirar à novela a inutilidade que a faz preciosa.
Seja cada um do seu tempo e do seu país.
O melhor romancista em Portugal, por enquanto, há de ser o que tiver mil leitores que lhe comprem o livro e o aplaudam, contra dez que o leiam de graça e o critiquem em folhetins a dez tostões."