As Três Irmãs
Camilo Castelo Branco
Publicado por Ediçoes Vercial

A leitura dalguns romances de Emílio Souvestre, e a suavidade meditativa que me eles deixaram no ânimo, induziram-me a escrever um arremedo daquele género que tantas simpatias conquistou entre infelizes.
Nunca, verdadeiramente, romancista algum conseguira, nem sequer tentara, brindar os seus leitores com romances dignos de se enfileirarem nas estantes dos Evangelhos, e dos melhores autores clássicos em vã e religiosa filosofia.
Emílio Souvestre emparelhou com Flanklin: um moralizou cristãmente sua própria vida; o outro aformosentou as suas ficções com as mais recendentes flores do cristianismo.
Encantado dos efeitos da boa alma e grande engenho do romancista francês, escrevi As Três Irmãs; e, posto que os méritos se distanciassem descompassadamente, se houvéssemos de confrontar o meu romance com o Filósofo nas Águas Furtadas, ainda assim, eu não me descontentei da minha tentativa, e alguma pequena parte do público ma recebeu com benevolência e estimação.
É certo que vagarosamente se vendeu o livro impresso em 1862, e agora reimpresso.
Todavia, se atendermos a que primeiro foi publicado em folhetins no Comércio do Porto, jornal lido por milhares de indivíduos, que se dispensam de reler em livro os romances lá editados, não há razão para desanimarem os escritores propensos a escreverem neste género chão, e, até certo ponto, religioso, já que não ouso dizer filosófico.