"Este livro não pode agradar a ninguém.
Nem aos absolutistas, nem aos republicanos, nem aos temperados.
Chamo «temperados» aos que se atemperam às circunstâncias do tempo e do meio.
São os piores, porque são mistos – têm três doses da bílis azeda dos três partidos.
São a mentira convencional – a máscara.
Déspotas para zelarem a liberdade, livres para glorificarem o despotismo.
Escreveu-se esta obra de convicção, e sem partido, com uma grande serenidade e pachorra.
Não se ama nem desama alguma das fações e frações militantes.
Sou um mero contemplador da fundição do metal de que há de sair a estátua da liberdade portuguesa; mas, em meio século, será difícil empresa desagregar o bronze, defecado do chumbo e da escumalha de ferro.
A vida pública atual sente-se da boa e da má influência da História de há cem anos.
Os mais avançados estão com o marquês de Pombal.
Por outro lado, as engrenagens do maquinismo conservador ganharam uma ferrugem que as vai roendo.
Vive-se mais das tradições que das evoluções.
O marquês de Pombal ressurge mais ou menos postiço e contrafeito dos moldes das três escolas políticas regimentares.
A única talvez que poderia aceitar-me indulgentemente este livro – a absolutista – decerto mo rejeita, porque eu não participo do seu ódio religioso – não direi cristão – ao inimigo do jesuíta, como padre.
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