O que você faz com as informações que adquire no dia-a- -dia?
Como você as transmite para seus alunos?
Qual é a reação deles frente aos novos conteúdos adquiridos?
A princípio, essas questões podem parecer sem sentido, já que envolvem o que você, educador, costuma fazer diariamente em sala de aula: educar.
No entanto, acredito que elas são fundamentais, já que o processo de alfabetização e de ensino é muito mais complexo do que a mera transmissão de pensamentos, de idéias ou de conteúdos: ele envolve valores – éticos e morais –, indispensáveis para embasar o modo como as crianças vão se relacionar com o mundo e com as outras pessoas, se vão ter resiliência ou não, se terão um pensamento crítico...
Ao ler essas últimas linhas, você pode estar pensando: “Como vou conversar sobre ética ou desenvolver jogos que exijam um pensamento crítico com crianças da Educação Infantil?”.
Claro, as dinâmicas não envolverão discussões sobre as origens e o desenvolvimento das pólis – as antigas cidades-estado gregas –, mas podem aprimorar as relações em grupo, a afetividade e o respeito ao espaço e às opiniões alheias.
Digo isso porque é somente com este embasamento que as crianças poderão, no futuro, escolher com primor seus candidatos a cargos públicos, suas profissões...
Dessa forma, cruzadinhas, dominós, caça-palavras, quebra-cabeças deixam de ser dinâmicas cujo único objetivo é entreter para tornarem- -se atividades que promovem o raciocínio, a socialização, o pensamento lógico...
Assim, mais do que nunca, acredito que a maneira como encaramos o ato de educar está mudando... E para muito melhor, já que, com essa diferenciação, os famosos “por quês” dos pequenos, antes considerados por alguns como algo irritante, hoje são estimulados, pois indicam interesse e alguma reflexão.
Essa alteração de postura é algo a ser celebrado, já que, mais do que o direito a um nome, à alimentação e a moradia, é necessário “dar à criança uma educação que favoreça sua cultura geral e lhe permita – em condições de igualdade de oportunidades – desenvolver suas aptidões, individualidade e senso de responsabilidade social e moral, chegando a ser um membro útil à sociedade”, como diz a Declaração Universal dos Direitos da Criança (20 de Novembro de 1959).
Esse é, com certeza, o seu objetivo ao atuar em sala de aula, assim como é o meu e o de toda equipe da Projetos Escolares: formar cidadãos responsáveis e comprometidos com a ética da solidariedade.