Ao longo da vida, somos constantemente assolados pelo verbo ser.
Ser um bom aluno, ser bem-sucedido no trabalho, ser sociável, ser um pai primoroso...
Com isso, desde pequenos, aprendemos a olhar para nós mesmos e a deixar de considerar os outros, e, conforme o tempo passa, alguns verbos importantes tendem a ser esquecidos ou, para não ser tão radical, deixados de lado.
Afinal, o que importa compartilhar, receber, entender e transmitir se, antes de tudo isso, não é possível atingir as conquistas pessoais?
Essa idéia reflete, ao contrário do que se pensa, o quanto precisamos da figura do outro para que possamos viver, e que existe a tendência de rechaçá-lo em detrimento de um olhar narcisista sobre a vida.
Isso porque, com o mundo globalizado, muitas vezes deixamos claro, mesmo sem querer, a idéia de que as pessoas e, em especial, as crianças, precisam, desde cedo, serem as melhores no judô, na natação, na escola...
No entanto, esquecemos que, para ser sociável e para que o mundo possa contar com essa cultura internacionalizada, é necessário que existam pessoas que se comuniquem, assim como, para conquistar o ápice profissional, por exemplo, é imprescindível garantir uma equipe “afinada”, que tenha uma confluência de interesses pelo progresso da empresa.
Por isso, na educação, fala-se atualmente sobre os jogos cooperativos, que se contrapõem, por sua essência, às dinâmicas competitivas.
Essa abordagem procura mostrar às crianças a idéia de que todos, ao trabalhar juntos, atingirão um mesmo objetivo mais rápida e facilmente.
A partir do momento que esse preceito é “semeado” no ideário infantil, tem-se, pelo menos, a preocupação de formar, no futuro, mais do que adultos de sucesso, mas cidadãos conscientes de que um dos papéis que exercem no mundo é torná-lo justo e participativo.
Afinal, o outro é aquele que nos ensina a ser, não é mesmo?