Como é bom conversar com pessoas inteligentes, cujo discurso é embasado não somente em enciclopédias ou teorias, mas na “paixão” por uma causa, por um ideal.
Essas, sim, “tocam” a alma da “platéia” com idéias cativantes e que levam à reflexão.
Começo o editorial com este pensamento porque é com um imenso prazer que apresento a vocês, nesta edição, uma nova seção, especialmente dedicada à África, com a colaboração do Júlio e da Débora, idealizadores do Projeto Sansakroma.
Ao participar da entrevista que a redatora Vivian Nunes Navajas fez com eles, pude confirmar o quão difícil pode ser para os educadores o ensino de temas referentes à África, que são obrigatórios na grade escolar.
Isso porque há muita desinformação a respeito desse território, o que gera um paradigma que eu, particularmente, não consigo explicar: como passamos aos nossos alunos os fatos que permeiam a História do Brasil sem nos aprofundar nos negros que, de uma forma ou de outra, foram a “base” de construção da nossa sociedade?
Como se ater somente a temas como fome, guerra e miséria, em um continente tão rico em música, línguas, população e riquezas naturais?
A cada dia, acredito que a educação está rompendo paradigmas e não aceita mais enfocar o senso-comum, o já conhecido, as informações fragmentadas.
Mas, às vezes, é necessário um “empurrãozinho” de atitudes particulares que exaltam o inusitado, apresentam uma “outra visão”.
A nossa iniciativa é mostrar, pelo Sansakroma, como transmitir as riquezas da África de forma lúdica e interessante.
Afinal, parafraseando o grande líder e pastor Martin Luther King, que tinha como objetivo acabar com as leis de segregação por meio de manifestações e boicotes pacíficos: “Temos aprendido a voar como os pássaros, a nadar como os peixes, mas ainda não aprendemos a sensível arte de viver como irmãos.”
É hora disso mudar.